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Dona Esther, como é conhecida, lembra que a maioria dos participantes do samba de roda eram negros. E muitos vinham de outras cidades, como Capivari, Campinas, Piracicaba. Vigorosa não somente em suas palavras, Dona Esther reúne forças para sair quase que diariamente da cidade e ir a São Paulo, no bairro de Arthur Alvim, na zona Leste. “Ajudo uma amiga. Passo roupa pra ela”, diz.
Além do samba de Pirapora, Dona Esther conta que participou de carnavais em algumas escolas de São Paulo, como a tradicional Lavapés, o bloco Unidos da Vila Galvão e até mesmo no cordão da Vai-Vai. “Conheço e admiro muito o Oswaldinho da Cuíca”.
Em relação ao samba de roda do passado, ela conta que os padres da época não gostavam muito do samba. “Hoje é tudo mais organizado!”
A função de Dona Esther é fazer a abertura do Samba de Roda nas apresentações. “Faço uma oração e eles respondem”, descreve. Ela se recorda também das procissões e lamenta o atual estado em que se encontra o rio Tietê, que passa pela cidade.
Ao lembrar das orações e dos cantos, Dona Esther ressalta as músicas que ela chama de “samba feio”. “Muitas pessoas não gostavam. Principalmente aquelas senhoras sérias que iam na praça pra ver a roda de samba.” Ela se refere a algumas letras maliciosas que eram improvisadas para mexer com o público e para desafiar o restante do grupo.
Em meio a algumas histórias, ela fez questão de dizer um verso com o nome
deste repórter:
“Na Festa de Pirapora
quem achá o lenço é meu
Amarrado as quatro ponta
Antonio Carlos que me deu”
“A última parte do verso é o grupo que responde”, explica Dona Esther, orgulhosa por ainda poder festejar e cantar nas rodas de samba.
Iniciativas da Universidade documentam origens do samba de São Paulo
Fotos: Marcos Santos

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