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Brasil Arquitetura

Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz
Grisbi Nordeste Indústrias Têxteis
Grisbi Nordeste Indústrias Têxteis
Residência Tamboré
Residência Tamboré
Residência Adeia da Serra
Teatro Polytheama
Teatro Polytheama
Conjunto KKKK
Conjunto KKKK
Requalificação do Bairro Amarelo
Requalificação do Bairro Amarelo
Sede do ISA – Instituto Sócio Ambiental
Sede do ISA – Instituto Sócio Ambiental
Museu Rodin Bahia
Museu Rodin Bahia
Museu Rodin Bahia
Museu do Pão
Museu do Pão
Museu do Pão
Monumento às nações indígenas
CESA Jd. Santo André
Nova Sede da Comunidade Shalom
Praça das Artes
Praça das Artes
Praça das Artes

O escritório Brasil Arquitetura foi criado em 1981 pelos arquitetos Francisco de Paiva Fanucci, Marcelo Carvalho Ferraz e Marcelo Suzuki. O escritório tem importância internacional, assinando projetos em diferentes cidades do Brasil e do mundo, vários deles premiados.  

Francisco de Paiva Fanucci nasceu em 3 de abril de 1952 na cidade de Cambuí, Minas Gerais. Em 1971, ingressou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU USP), curso que concluiu em 1977. Em 1974, junto a colegas da faculdade (Antonio Carlos Barossi, José Fábio Calazans, José Rollemberg de Mello Filho, Gal Oppido e José Geraldo Martins de Oliveira), criou o espaço de estudos e projetos Galpão, na Vila Madalena. Um ano mais tarde, iniciou estágio com o arquiteto e professor Júlio Katinsky. Nos anos seguintes, trabalhou nos escritórios dos arquitetos Abraão Sanovicz e Joaquim Guedes. Entre 1993 e 1995 leciona na Faculdade de Arquitetura Brás Cubas, e a partir de 2002 na Escola da Cidade, em São Paulo. 

Marcelo Carvalho Ferraz nasceu em 29 de agosto de 1955 em Carmo de Minas, Minas Gerais. Até os 17 anos, viveu na cidade mineira de Cambuí, de onde saiu para cursar a FAU USP, entre 1974 e 1978. . Em 1977, Marcelo iniciou estágio com a arquiteta Lina Bo Bardi nas obras do SESC Pompéia. Em 1979, ao lado de Fanucci, Suzuki, Tâmara Roman e José Salles Costa Filho, fundaram o Atelier Vila Madalena. Trabalhou como arquiteto colaborador de Lina Bo Bardi até o ano da morte da arquiteta, em 1992. Entre 1992 e 2001 dirigiu o Instituto Lina Bo e P.M. Bardi – criado pelo casal Bardi. Em 2002, colaborou com Oscar Niemeyer no projeto do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Entre 2003 e 2004, dirigiu o Programa Monumenta do Ministério da Cultura para a recuperação das cidades Históricas Brasileiras. Em 2006, lecionou como professor convidado na Washington University in Saint Louis, USA. É professor da Escola da Cidade desde 2004. 

Marcelo Suzuki nasceu em 29 de janeiro de 1956, em Barretos, interior de São Paulo. Estuda na FAU USP entre 1974 a 1980. Em 1996, Suzuki se desliga do grupo para constituir escritório próprio. 

Apesar das limitações impostas à vida acadêmica e cultural do país durante a ditadura militar que vigorou nos anos 1960/70, a formação dos sócios do Brasil Arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP deu-se em meio a um ambiente humanista de esquerda, no qual se debatiam diferentes correntes de pensamento. Ali os estudantes entraram em contato com referências clássicas da arquitetura - como Le Corbusier, Mies Van der Rohe, Frank Lloyd Wright, Alvar Aalto, entre outros. Mas foi o acesso direto à obra pouco ortodoxa de Lina Bo Bardi – Suzuki e Fanucci também colaboraram com Lina em alguns projetos – que viria a contribuir decisivamente para a formação diferenciada desses arquitetos. Destacam-se a participação nos concursos públicos Reurbanização do Vale do Anhangabaú (1981) e o Pavilhão do Brasil em Sevilha, Espanha (1991); além da participação no projeto do Teatro Polytheama de Jundiaí (1985) e nos projetos de revitalização e recuperação do Centro Histórico de Salvador, Bahia (1986), entre outras. Lina valorizava o olhar antropológico na arquitetura e o trabalho com o patrimônio arquitetônico entendido como ferramenta da arquitetura do presente. A arquiteta tinha um olhar apurado e atento para os modos de projetar, o uso dos materiais e outros elementos constitutivos da cultura do país – preocupações que marcam os projetos do Brasil Arquitetura. 

O primeiro projeto significativo do escritório foi a Grisbi Nordeste Indústrias Têxteis, em Camaçari, Bahia, no ano de 1980. O programa racional de atividades industriais foi absorvido pelos arquitetos em um projeto econômico. Buscou-se uma obra que proporcionasse baixo consumo de energia, com ventilação e iluminação naturais, intenção cumprida por meio de elementos vazados de concreto produzidos no próprio canteiro, de sistemas duplos de proteção das lajes de cobertura e por laje-jardim. Toda a obra foi feita com mão-de-obra local utilizando tijolo de barro, abundante na região, alvenarias autoportantes e vedação das grandes estruturas de concreto. Premiado na 2ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, o projeto teve sua construção incompleta, por conta da venda do patrimônio levando o canteiro ao abandono. 

Como parte do ideário dos arquitetos de complementar suas obras arquitetônicas desenhando e executando projetos de mobiliário, é criada em oficina própria em 1986 a Marcenaria Baraúna. Os móveis, como eles afirmam, são “de arquiteto”: propõem a racionalidade no uso da madeira, e explicitam o sistema estrutural construtivo de forma clara, sem disfarces. 

No escritório, a década de 1980 foi pautada por muitos projetos residenciais, como a Residência Tamboré e a Residência Aldeia da Serra, ambas em Barueri, São Paulo, em 1989. Neles, estão presentes características marcantes do trabalho dos arquitetos, tais como a clara relação entre os ambientes e a evidência dos materiais empregados. 

É na área da revitalização de edifícios públicos que o Brasil Arquitetura tem realizado seus mais notáveis projetos. A recuperação do Theatro Polytheama, inaugurado em 1911 em Jundiaí, São Paulo. O edifício teve um primeiro projeto desenvolvido em 1986 por Lina Bo Bardi, com a colaboração de Marcelo Ferraz e do arquiteto André Vainer. Não executado, foi retomado pelo escritório e finalizado em 1995, já sem a participação da arquiteta, porém com suas diretrizes principais respeitadas. A fachada foi caiada, trazendo uniformidade aos elementos decorativos. A marquise de estrutura metálica foi recuperada. O interior do teatro ganhou novos pisos, arquibancadas e um forro de pau-marfim, além de novas cores - o azul intenso nas paredes, o vermelho quente das cortinas do palco -, e um lustre-escultura de cristal desenhado pelo artista José Roberto Aguilar. A caixa de escadas, as passarelas de circulação e a galeria, todas em concreto aparente, criaram novos fluxos no interior do edifício e nos recuos laterais, revelando os contrafortes de tijolos, também caiados. Provido de equipamentos modernos, o Polytheama se reafirmou como marco cultural da cidade. 

Em 1996, o escritório finalizou a recuperação do Conjunto KKKK, em Registro, São Paulo. O projeto definiu novos usos aos galpões tombados da antiga Companhia Ultramarina de Desenvolvimento KKKK (Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha), construído em 1924: ali foram instalados um Centro de Formação Continuada de Gestores, da Secretaria de Estado da Educação, e o Memorial da Imigração Japonesa, que conta com um importante acervo de obras de artistas plásticos japoneses radicados no Brasil. Ao lado dos galpões foi construído um novo teatro com 250 lugares , com linguagem simples e racional, voltado para a comunidade de Registro. O conjunto restabeleceu a antiga relação da cidade com o rio Ribeira do Iguape, antes abandonada.  

No ano de 1997, o Brasil Arquitetura venceu o concurso internacional para a Requalificação do Bairro Amarelo, em Berlim, Alemanha, tendo concorrido com 56 escritórios. O conjunto habitacional construído nos anos 1960 em concreto pré-fabricado abrigava 12 mil pessoas em 3.200 apartamentos. Com uma proposta pautada em temas e materiais referenciados em tradições da cultura brasileira, o projeto recobriu os sólidos e monótonos edifícios cinzentos com o branco puro e pintou suas partes superiores com cores fortes que diferenciam e identificam os edifícios; nas varandas e nos acessos, introduziu a madeira com o uso de painéis de muxarabi; nos corredores internos, inseriu azulejos decorados com desenhos feitos por índios Kadiwéu, que habitam a fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai; deu aos pátios um tratamento paisagístico diferenciado, e pontuou as entradas do Bairro com grandes esculturas dos artistas brasileiros Amilcar de Castro, Frans Krajcberg, Miguel Santos e Siron Franco. 

A Sede do ISA – Instituto Sócio Ambiental em São Miguel da Cachoeira, Amazonas, realizado no ano de 2000, apresenta uma relação intensa entre o projeto e a cultura indígena da região, através da utilização da técnica construtiva pautada nos materiais e mão-de-obra locais. Um cubo branco de 16m de lado é rodeado por um terraço de madeira e uma escada, ambos de madeira e cipó, que protegem contra as chuvas constantes. Uma cobertura de estrutura de madeira, coberta com folhas de piaçava, executada segundo a tradição indígena, repousa sobre a construção, oferecendo uma sombra convidativa para a vista do rio Negro. 

O Museu Rodin Bahia, em Salvador, Bahia, instalado no Palacete Comendador Catharino, é a primeira filial do Museu Rodin fora da França. O edifício de estilo eclético, construído em 1912 e restaurado em 2002, foi inteiramente adaptado para receber as obras do artista francês, com a reordenação de seus antigos espaços e a utilização de equipamentos modernos. Um edifício anexo, projetado para abrigar exposições temporárias e um café, combina na sua horizontalidade o concreto aparente, painéis de muxarabi e extensos panos de vidro. As duas construções – antigo e moderno - são unidas por uma passarela de concreto protendido, sem pilares. O jardim do antigo Palacete foi totalmente remodelado para receber esculturas de Rodin, entre elas A porta do Inferno.

A conversa entre passado e presente marca também o projeto do Museu do Pão, de 2008. Localizado em Ilópolis, Rio Grande do Sul, o Museu faz parte do projeto de criação de um Caminho dos Moinhos - rota turística na região do Vale do Taquari. O conjunto do Museu do Pão gira em torno do Moinho Colognese, prédio construído em madeira por imigrantes italianos no início do século 20 e o primeiro da rota a ser restaurado. Em seu interior, uma bodega/café convive com maquinário que moe trigo e milho. Na área externa, o moinho conversa com dois novos edifícios feitos em concreto aparente: o Museu propriamente e uma Escola de Panificação moderna. 

No ano 2000, o escritório desenvolve o projeto apoio ao Monumento às nações indígenas, do artista plástico Siron Franco, em Aparecida de Goiânia, Goiás; em 2003 inicia as obras do CESA Jd. Santo André, Escola Municipal de Educação Infantil e Fundamental em Santo André, São Paulo; em 2005 projeta a residência de veraneio Vila Isabella, em Hanko, Finlândia, vencedor de concurso internacional; também vence concurso para a construção da Nova Sede da Comunidade Shalom, sinagoga em São Paulo, SP; e em 2006 elabora o projeto Praça das Artes, conjunto de edifícios que abriga os anexos do Teatro Municipal, em São Paulo, SP. 

O escritório Brasil Arquitetura alcançou reputação internacional e continua desenvolvendo projetos por diversas regiões do país e do exterior, sempre respeitando e dialogando com a cultura local, e trazendo para o presente construções do passado que, por sua relevância, não devem cair no esquecimento. Dizem os arquitetos: “Buscamos uma arquitetura criada a partir de profunda conexão com as bases culturais de cada lugar e protagonistas. E nem por isso podemos dizer que, ao abordar estes aspectos, ela seja regional. Não! Uma vez que as bases culturais de qualquer sociedade ou povo sejam as dimensões humanas de relacionamento e comunicação, a arquitetura será sempre universal. Universais são questões como convivência, busca de tolerância entre diferentes, busca de conforto e desenvolvimento criativo das técnicas, dos modos de viver e habitar o mundo. É aí que transita o projeto: aí fazemos nossas escolhas e nossas leituras e interpretações. Como antropófagos, digerimos nosso alimento intelectual, espiritual e poético e apresentamos nossas proposições”.


BIBLIOGRAFIA  

Palácio das Indústrias: Memória e Cidadania. O restauro para a nova Prefeitura de São Paulo. Edição DPH/Método. Projeto: Escritório Lina Bo Bardi. São Paulo, PW, 1992. 

Lina Bo Bardi /  [organizador Marcelo Carvalho Ferraz]. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1993. 

FERRAZ, Marcelo Carvalho. FANUCCI, Francisco de Paiva. Theatro Polytheama de Jundiaí. Jundiaí, Prefeitura Municipal de Jundiaí, 1996. 

O Conjunto KKKK / Hugo Segawa, Francisco P. Fanucci, Marcelo Carvalho Ferraz / ensaio fotográfico Nélson Kon. – São Paulo: Takano Editora, 2002. 

FERRAZ, Marcelo Carvalho. FANUCCI, Francisco. Francisco Fanucci, Marcelo Ferraz: Brasil Arquitetura / apresentação João da Gama Figueiras Lima, Max Risselada; ensaios e análise de projetos Cecília Rodrigues dos Santos, Vasco Caldeira; comentários e depoimentos dos autores. – São Paulo: Cosac Naify, 2005. 

NAHAS, Patricia Viceconti. Brasil Arquitetura: memória e contemporaneidade. Um percurso do SESC Pompéia ao Museu do Pão (1977-2008) / Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade Presberiteriana Mackenzie, São Paulo, 2008. 

Museu do pão: caminho dos moinhos / [coordenação de conteúdo João Grinspum Ferraz; ensaio fotográfico Nelson Kon]. Ilópolis, RS: Associação dos Amigos dos Moinhos do Vale do Taquari, 2008.

Como citar esse documento
Autor(es) do verbete:: Rebeca Grinspum
Título: [online]
Disponível na Internet via < http://citrus.uspnet.usp.br/architectus/ >
URL: < http://citrus.uspnet.usp.br/architectus/verbete.php?cd_verbete=7 >
Última atualização: 15/09/2009

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